el chaltén

Janeiro, 2018 | escrito por Talita

Minha cidade preferida da viagem! Eu fiquei APAIXONADA por El Chaltén. Se pudesse voltar no tempo, com certeza teria ficado menos dias em Ushuaia e mais dias em El Chaltén. A parte legal é que posso dar essa dica preciosa para vocês! E quem sabe, um dia eu não volto? Vontade não falta!

 

O que falar desse lugar?

 

Primeira coisa, alugue um carro para o trajeto El Calafate - El Chaltén. Ficamos bem na dúvida se o investimento valeria. Já era o fim da viagem e estávamos apertados (ficou para o cartão de crédito).

 

Mas valeu, se valeu, mais que valeu!

 

A estrada é bastante sinalizada, e é tanta beleza que, ao invés de demorarmos as 3 horas (esperadas/programadas), levamos umas 4 horas e meia. A todo momento eu pedia para o Lindo parar o carro. Queria admirar com calma, tirar fotos, olhar de pertinho.

 

São vários lagos daquele azul turquesa de El Calafate, montanhas maravilhosas e, conforme você vai chegando perto, a estrada fica com o lindo Fitz Roy de fundo. Apesar dos ventos de 90 km/h (não estou exagerando), paramos e saímos do carro diversas vezes e tiramos fotos lindas!

 

Chegando na cidadezinha, que mais parece um vilarejo, já é possível sentir o clima aconchegante do lugar. Conhecida como a capital argentina do trekking, El Chaltén vai sem dúvida conquistar seu coração.

 

É tão pequena que é possível fazer tudo a pé. E o melhor de tudo: muitos passeios gratuitos à disposição!

 

O que não falta são trilhas e mais trilhas, lagos e até mesmo cachoeiras. Tire alguns dias para aproveitar tudo de melhor que esse paraíso tem a oferecer.

Dica: Para quem vai fazer qualquer trilha em El Chatén (não somente a do Fitz Roy), passe antes no ‘Centro de Visitantes del Parque Nacional’. O Centro fica logo na entrada da cidade e lá você encontra todas as informações necessárias sobre o lugar. Você pode tirar dúvidas, assistir a apresentações e aprender um pouco mais sobre a história da região e suas maravilhas.

 

onde ficar

Como já era final de viagem e sabíamos que estaríamos cansados, resolvemos investir ($) na nossa estádia em El Chatén. Alugamos a Casa Andina Chaltén e foi minha hospedagem preferida da viagem. Valeu cada centavo!

 

A casa fica no primeiro andar de onde moram Laura, Pedro e seus dois filhinhos. Fomos muito bem recebidos por essa família linda e super acolhedora. A casinha é simples, mas linda! Super bem decorada e com uma energia incrível, que faz você se sentir em casa. Como tinha cozinha, ainda conseguimos economizar nos restaurantes fazendo nossa comida. 

Além de tudo, a Laura, super atenciosa, ainda deu excelentes dicas para o nosso passeio até o Fitz Roy.

Ah, ainda ganhamos um café da manhã delicioso de cortesia. Pão e geleias artesanais, do jeito que a gente gosta :)

onde comer

Como a maioria das nossas refeições foi em casa, o único restaurante que posso indicar é o  Ahonikenk Chalten. Dividimos um prato bem tradicional e uma cerveja assim que chegamos na cidade. Achei bem gostoso!

 

Cerro fitz roy

A minha paixão por essa magnífica montanha (‘cerro’ significa montanha/morro em Espanhol) começou no Instagram da @lais_schulz. Foram alguns dias paquerando suas fotos e vídeos, e desde o primeiro momento eu já sabia que era um lugar imperdível. Então, por conta dessa belezura, resolvemos incluir El Chaltén no nosso roteiro, e foi a melhor decisão que tomamos!

Devido a um pequeno erro de planejamento (não sabíamos que El Chaltén seria tão encantador) só tivemos um dia para fazer a trilha até o pé da montanha, onde fica a Laguna de Los Tres (outra beldade da natureza). O que é um grande risco, devido a instabilidade do tempo.

 

Por conselho dos nossos anfitriões (que também eram guias) compramos lugares em uma van que buscou a gente em casa e nos levou até o início do trekking. A ideia era economizar tempo e conhecer duas trilhas diferentes (uma para ir e outra para voltar).

O dia tinha amanhecido um pouco nublado e na van mesmo vimos um pseudo arco íris, mas tínhamos esperança que o vento trouxesse o sol.

 

Com a van fomos do ponto A até o ponto B (do mapinha abaixo) e de lá iniciamos a 'primeira' trilha, que acompanha o chamado Río Blanco. Muitas subidas, paisagens lindas e a vista (mesmo que de longe) do Glaciar Piedras Blancas! Já no começo da trilha começou a chuviscar, mas nada que tirasse a felicidade de estar em meio à natureza. Nessa hora você tira da mochila sua roupa waterproof e segue viagem mentalizando o sol.

Mapa de trekking - El Chaltén

Foi mais ou menos 1h 30min de caminhada (com bastante subida) até o Capamento Poincenot (você consegue se localizar pelo mapinha acima). Esse acampamento é uma loucura, muitas famílias em barracas no meio da floresta! Fiquei com muita vontade de voltar para acampar lá.

Continuando, você chega em um 'descanso'/início da subida final. Lá você consegue parar para fazer um lanche e ir ao banheiro. A partir deste ponto começa a 'grande subida'! Na verdade, não sei se foi o frio ou a chuva, ou os dois juntos, mas achei essa subida final bem mais fácil do que a subida para as Torres (veja aqui o post sobre Torres del Paine). 

Com o aumento de altitude e queda na temperatura, a nossa amiga chuva foi se transformando em neve. O friozinho foi se transformando em congelamento, e o ventinho virou uma ventania (hahahaha socorro). Mas a vontade/esperança de conseguirmos ver a minha paixão (o Fitz Roy) era muito grande.  Apesar dos avisos das pessoas que desciam sobre as condições adversas no topo, somos brasileiros e não desistimos nunca. Estávamos muito perto para pensar em voltar.

Chegamos enfim na Laguna de Los Tres, ou melhor, no que parecia ser a Laguna. A neblina estava tão forte que não dava para enxergar nada! Nem sinal de Fitz Roy (completamente encoberto), e um leve azul da Laguna.

Sentamos atrás de uma pedra para nos proteger do frio e da neve. A ideia era esperar ali o tão sonhado sol (hahahaha) e a paisagem incrível que iria surgir.

É, nem sempre os nossos desejos se realizam, e nem toda expectativa vira realidade, por mais que a gente queira que sim. Depois de começarmos a literalmente congelar, resolvemos que era hora de dar tchau e abortar a missão.

A temperatura caiu tanto, que tivemos que sair correndo! Os flocos de neve ficaram tão grandes que parecia que estávamos dentro de um globo de neve. Achei a coisa mais linda do mundo! Por um breve momento de lucidez ou loucura (depende do ponto de vista), pedi para o Mozão tirar a luva e registrar aquilo tudo com uma foto! Segundos depois, ele (ultramaratonista de trilhas) me abandonava correndo para não congelar, enquanto eu seguia tentando acompanhá-lo. 

Então percebi que a minha paixão era platônica e que não seria dessa vez que 'conheceria' o Cerro Fitz Roy, infelizmente!

Começamos a nossa volta saindo do ponto C e caminhando até o ponto A (do mapinha acima), passando pela Laguna e Campamento Capri. Uma trilha bem diferente (e mais longa) do que a trilha da ida. Vales lindos, pedras e riachos no caminho de volta! Apesar da beleza que me rodeava, seguia fazendo planos de voltar às 4h da manhã do dia seguinte (doce ilusão).

Chega um momento que você se dá por vencida, para de fazer planos e volta para o Agora (recomendo e MUITO o livro 'O Poder do Agora'). E é então que você percebe que experiências ruins podem se transformar em experiências lindas se você se permitir e parar de lutar! A 'segunda' trilha durou umas 3h e foi maravilhosamente bela. No final, nos divertimos muito e agradecemos!

Posts relacionados: