manaus

Novembro, 2018 | escrito por Carla

Me surpreendi com a cidade de Manaus. É tão grande e movimentada! 

Achei legal conhecer um pouco a culinária deliciosa, o centro histórico, e os produtos cosméticos naturais superfamosos. Ficamos 3 dias na capital do Amazonas, mas indico ficar menos tempo na cidade e mais na floresta.

Os hotéis dentro da selva (como são conhecidos) te dão a oportunidade de realmente viver a experiência de estar na maior floresta do mundo, banhada pelo maior rio do mundo (rio Amazonas). 

 

Eu amei ver de pertinho botos cor de rosa, macacos, bichos preguiça, araras e toda a vegetação da floresta tropical! Às vezes a gente esquece como nosso país é rico em recursos naturais, como é bom respirar ar puro e sentir a energia de estar em um lugar como a Floresta Amazônica. Somos privilegiados e temos que ajudar a preservá-lo!

QUANDO IR 

O inverno (entre junho e setembro) é a estação seca, quando os rios baixam de nível, e o verão (entre dezembro e março) é a estação chuvosa.

Chove bastante durante o verão, e, enquanto isso, os rios vão subindo de nível, dia após dia (somando às precipitações ao derretimento da Cordilheira dos Andes, no Peru, onde fica a nascente do Rio Amazonas). Essa mudança no nível das águas pode chegar até doze metros entre as estações. Isso mesmo, metros!

 

Tá, mas por que falei isso tudo? Porque, na minha opinião, vale a pena escolher uma data em que os rios estejam altos.

 

A melhor época para conhecer o Amazonas, segundo os manauaras, é entre maio e agosto. Em agosto, o nível dos rios começa a cair e, em novembro, eles já estão bem baixos.

 

Eu acho que nós fomos na pior época possível: novembro.

Tá bom, todo mundo diz que vale a pena conhecer os rios nas duas estações, mas na primeira visita eu acho que impressiona bem mais conhecer os rios na época cheia. Andar de canoa pelos igarapés continua na minha #wishlist.

De qualquer maneira, achei incrível ver os rios mais vazios pra entender até onde a água vai. As marcações nas árvores e nas encostas mostra onde a água esteve nos meses anteriores, e é até difícil acreditar que sobe tanto! 

 

Também foi superinteressante observar como as construções são adaptadas para essa mudança no nível das águas: a maioria das casas ribeirinhas são flutuantes, para adaptar-se às variadas alturas dos rios.

Para a pesca, a estação seca também é melhor, já que os peixes ficam mais concentrados onde tem água. O mesmo vale para a focagem de jacarés.

Agora falando do CALOR: não tem escapatória! Os próprios manauaras falam que até hoje não se acostumaram com a sensação térmica de lá por causa do clima super úmido e abafado. As temperaturas frequentemente ultrapassam os 40ºC! Em novembro, quando fomos, pegamos dias bem quentes, com uma média de 35ºC. 

quanto tempo ficar

Na minha opinião, em 1 dia você consegue conhecer os principais pontos de Manaus. Depois pode partir para a selva em medo de ser feliz. Nós ficamos 3 dias em Manaus e 3 dias em um hotel na selva, mas eu faria diferente. A experiência de estar na floresta é muito mais intensa! Minha sugestão: 1 dia em Manaus e 3 dias na selva.

sobre os gastos

Cada viagem é de um jeito. Roteiro, escolha de hospedagem, quantidade de dias, mas é sempre válido ter uma noção base dos custos, e é por isso que a gente compartilha os gastos por aqui.

Vamos lá:

A gente não gastou nada com passagens, porque voamos com milhas.

Optamos por ficar 3 dias em Manaus, mas como falei, ficaria menos.

O hotel da selva que escolhemos teve um ótimo custo x benefício, mas as refeições eram por fora, e não tão baratas, então vale a pena colocar na ponta do lápis antes de escolher.

_________________________

 

TOTAL: BRL 3879  | duas pessoas + um bebê, 6 dias

Uber (aeroporto - hotel)

Hospedagem em Manaus (centro histórico)

Ingresso MUSA (Jardim Botânico)

Transporte de Uber em Manaus

Hospedagem na selva (Amazon Ecopark)

Passeio Encontro das Águas + Botos + Tribo

Transfer Manaus - Amazon Ecopark - Aeroporto

Floresta dos Macacos

Total de comida

BRL 18

BRL 640 (quarto família, 3 diárias)

BRL 40 (inteira) + BRL 20 (meia)

BRL 32

BRL 1215 (quarto duplo com berço, 3 diárias)

BRL 150 (por pessoa)

BRL 200

BRL 60 (por pessoa)

BRL 1294

onde ficar

Em Manaus:

Minha dica é ficar perto do Teatro Amazonas, no Centro Histórico. Em frente ao teatro fica a Praça São Sebastião, com um trecho aberto somente a pedestres, onde os restaurantes colocam mesas e cadeiras e o ambiente fica super agradável. Dá pra ir a pé pro mercado municipal e pro porto da onde saem os passeios de barco. 

O Hotel Boutique Villa Amazônia é famoso e bem localizado, mas as diárias são salgadinhas (por volta de BRL 550).

 

Nós ficamos a 50m do Teatro, no Hotel Seringal. Simples, mas nos atendeu super bem, principalmente pela excelente localização. As diárias incluem café da manhã, e o nosso quarto era grande (uma cama de casal e duas de solteiro), tinha ar condicionado (nem cogitem reservar um hotel sem), TV e frigo.

Na selva:

Tem bastante opção legal. Entre as nossas pesquisas, nos deparamos com alguns que pareciam ser bem gostosos:

Juma Amazon Lodge, Anavilhanas e Tariri.

Nós escolhemos o Amazon EcoPark por causa do custo x benefício (diária em torno de BRL 306). Do Centro de Manaus demoramos 30min de carro até a Marina Tauá, e depois mais 30min no percurso de barco até o Rio Tarumã, afluente do Rio Negro.

No entorno do hotel vimos arara, bicho preguiça e macacos. Além disso, ele tem uma piscina natural super gostosa e zero mosquitos (a água escura do Rio Negro tem o Ph ácido que os afasta). 

O almoço e o jantar eram por fora (BRL 65 por pessoa) em um esquema buffet. Apesar de ter bastante variedade, a comida deixava a desejar. O café da manhã, incluso, era a melhor das refeições. Nós almoçamos todos os dias, mas nos jantares preferimos pedir sanduíches no bar (média de BRL 12).

onde comer

Em vez de falar só sobre "onde comer", quero falar sobre "o que comer"!

 

Os peixes são o carro chefe na culinária do norte Brasileiro, lá vimos muito Tambaqui, Pirarucu, Tucunaré, Piranha, Matrinchã, Pirapitinga, Sardinha, Aruanã, Mapará e Pacu. Ufa! Sorte que tirei foto de alguns cardápios e da barraca de peixe do mercado municipal, senão não ia lembrar nem metade dos nomes! 

Pirarucu é um peixe enorme e sem espinha, super suculento, delicioso. Eles também costumam vendê-lo (e cozinhá-lo) seco, chamam de bacalhau do norte. Tambaqui é menor, mas ainda é grande, também sem espinha e bem suculento. Os outros a gente não experimentou. Pra comer um bom Tambaqui, nos indicaram o restaurante Tambaqui de Banda. Fica em frente ao Teatro Amazonas, na Praça São Sebastião.

 

Além das frutas mais comuns no Brasil, como banana, abacaxi, manga e melancia (penduradas em toda esquina), lá tem muito caju, tucumã (uma frutinha que quase não tem polpa, tem uma semente giga e, em volta, os manauaras raspam a fruta amarela - tipo manga - e enchem saquinhos para vender; comem com queijo, dentro do sanduíche, de várias maneiras), açaí (mas lá eles não comem batido com xarope de guaraná, tipo frozen), Jenipapo, Taperebá, Graviola, Cupuaçu, Acerola.

Tucupi: um líquido extraído da mandioca. Aprendemos que mandioca é diferente de aipim/ macaxeira. A mandioca tem um líquido tóxico - cheio de um ácido que não lembro o nome - mas se você deixar fermentando durante um tempo ele deixa de ser tóxico e vira o tal do Tucupi. Eles usam como base para molho de pimenta (nas mesas dos restaurantes sempre tinha um vidro) ou cozinham com pato, peixe, etc.

Tapioca: a goma branca da mandioca, peneirada ou não. Se for em bolinhas maiores, eles fazem mingau, misturam no açaí, usam de várias formas. 

Farinha Uarini: também é feita através da mandioca, mas com os grãos redondinhos e amarelos.

Tacacá: Um caldo servido quente que mistura tucupi, goma de tapioca, camarão e jambu (uma erva que deixa a boca meio adormecida). 

o que conhecer

Outros passeios que vimos bastante por lá, mas não fizemos: focagem de jacarés à noite, pescaria de piranhas e alguns que pernoitam na selva. 

 

teatro amazonas

Construído em 1896, quando Manaus começava a ser explorada para extração da borracha.

Fica na Praça São Sebastião, rodeada de restaurantes, lojinhas, muitos pedestres e um clima bem gostoso de caminhar. Nos finais de semana se vê bastante barraquinha de pipoca, tacacá, aluguel de bicicletas, e famílias aproveitando o dia.

 

mercado municipal

Ainda no Centro Histórico, de frente para o Rio Negro. Dá pra ir andando do Teatro Amazonas.

Apesar de ser pequeno e ter bastante espaço com barracas vazias, encontramos muitas opções de ervas, cosméticos, peixes, temperos, cestaria, chás e artesanato.

Os cosméticos e remédios naturais são superfamosos. Sabonetes vegetais (mulateiro, copaíba, pracaxi, andiroba), óleos essenciais (pau rosa, argan), inaladores, chás, ervas medicinais, e por aí vai. Comprei um sabonete de mulateiro que to amando!

Os peixes são vendidos frescos, secos, vimos pirarucus enormes pendurados. E entre uma barraca e outra você pode comprar um suco de cupuaçú geladinho pra matar o calor.

encontro das águas

O encontro entre a água marrom do Rio Solimões e a água preta do Rio Negro fica a poucos quilômetros de Manaus e é um passeio bem procurado.

 

As águas dos rios não se misturam (por causa da diferença de densidade e velocidade) então, quando se encontram, uma avança por cima da outra formando uma linha. 

 

A nascente do rio Negro é na Colômbia, e o rio Solimões nasce no Peru. A foz do Rio Negro fica em Manaus, mas o Solimões continua, já com o nome de Rio Amazonas, até desembocar no Oceano Atlântico.

Tivemos essas explicações todas no passeio que fechamos com a empresa Amazonas Day Tour.

Valor: BRL150 por pessoa, incluindo:

almoço (delicioso em um restaurante flutuante)

visita a uma tribo indígena

interação com botos cor de rosa.

 

Esse combo é oferecido por várias empresas, alguns começando pelo encontro das águas, outros pela interação com botos. Eu decidi não contar mais a fundo sobre a interação com botos aqui, porque ainda não tenho certeza se curti a experiência.

Sim, eles estão livres e chegam perto da gente por vontade própria, não são maltratados, não ficam presos e ninguém pode encostar neles. Mas, por outro lado, oferecer peixes para atraí-los interfere na cadeia natural dos animais. E quando o instrutor oferece os peixes fiquei com peninha dos botos, eles pulam, nadam atrás do peixe, e só depois de bastante exibição são recompensados.

 

Na época de cheia, quando você mergulha no Rio (perto do seu hotel da Selva) dizem que é comum ver botos nadando por perto e se exibindo naturalmente. Quero voltar pra conferir, com certeza a experiência seria bem mais natural!

 
 

visitar uma tribo indígena

Mesmo esse passeio fazendo parte de um pacote super turístico (Encontro das Águas + Interação com Botos), achei interessante conhecer um pouco dos costumes, das danças, músicas, pinturas e comidas da tribo Dessana Tukana, que vive nas margens do Rio Negro

Para chegar até a tribo, desembarcamos em um píer no Rio Negro, passamos por um restaurante flutuante anexo a uma vendinha de artesanatos e chegamos até à floresta.

 

Impressionante como esses passeios turísticos atraem grande exploração. No caminho até a tribo, vários moradores locais seguravam animais silvestres para o nosso grupo tirar fotos. Minha vontade era chorar, juro, tive que respirar fundo vendo jacarés filhotes com a boca amarrada, bichos preguiça com as garras cortadas, cobras sendo "esmagadas".

Chegando na tribo, algumas barraquinhas expõem um pouco de artesanato e os principais integrantes explicam um pouco como vivem, mostram danças, músicas e instrumentos.

Eles dependem muito do turismo para sobreviver, então o objetivo maior é vender e receber doações dos turistas. 

 

musa- jardim botânico

Quem conhece bem o Sr. Meu Marido sabe que ele gosta mesmo é de duas coisas em viagens: vistas (de preferências bem altas) e becos. Até ri escrevendo isso, mas é verdade. Dani não pode passar por um centro histórico cheio de bequinhos que quer explorar cada rua.

Mas enfim, o Musa tem uma torre bem legal de 3 alturas. E isso foi o que nos atraiu a conhecer o Jardim Botânico Manauara.

 

Na primeira parada a gente fica na altura dos troncos das árvores, e a ideia é observar os animais que estão também nessa altura (bichos-preguiça, macacos, etc.).

 

A segunda parada é na altura da copa das árvores, e a terceira, acima da copa das árvore. Aqui a gente escuta quase uma sinfonia das aves, e é bem legal ver esse terreno bem grande de mata virgem em meio a uma cidade tão grande como Manaus. É quase um oásis.

Além da torre, eles têm um borboletário, um museu, um lago de vitórias régias (lindas!), e várias trilhas legais.

 

Ah, e eles oferecem trilhas guiadas à noite ou no pôr-do-sol, momento mais sossegado e quando os animais se sentem mais livres. Fica a dica.

 

 

floresta amazônica

Pra mim a melhor parte! A mais intensa, de maior contato com a natureza, com os animais, com o ciclo da vida! 

Tem vários meios de você adentrar a floresta ali nos arredores de Manaus, principalmente se decidir se hospedar em um hotel na selva (faça isso, você não vai se arrepender).

A gente ficou em um hotel chamado Amazon EcoPark, que fica às margens do Rio Tarumã, afluente do Rio Negro.

 

De lá, caminhamos para conhecer as incalculáveis espécies de plantas no meio da floresta virgem, vimos árvores gigantescas, entendemos até onde o rio sobe, conhecemos macacos em seu habitat natural, bichos preguiça, araras e uma quantidade enorme de aves!

Cada hotel oferece seus próprios passeios, então quando você for reservar, se informe. Os mais falados são: focagem de jacarés, pesca de piranhas, canoagem, caminhadas na floresta, interação com botos e pernoite na selva.

Um passeio oferecido pelo hotel que ficamos era a visita à Floresta dos Macacos. Ele participa de um projeto em parceria com a Fundação Floresta Viva, e uma das ações é recolher macacos vindos de contrabando para devolver à floresta.

 

Conhecemos os Macacos Barrigudos a 15 minutos (a pé, na seca) do hotel. Além dos macacos que ainda estão presos em quarentena antes de serem soltos (controlando possíveis doenças e feridas, e adaptando-os de novo ao bando que vive por ali), o projeto oferece frutas para os que estão livres na floresta, atraindo-os para que os turistas possam vê-los mais de perto. 

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