marrakech

Novembro, 2017 | escrito por Carla

Uma das viagens mais incríveis que eu já fiz! 

 

Respirar história em uma cidade super colorida, com comidas deliciosas e povo receptivo. 

 

Vários relatos que eu li alertavam os leitores sobre a chatice dos marroquinos em querer vender, sobre o caos da cidade, e confesso que viajando com bebê, fiquei um pouco receosa. Voltei de lá encantada, o caos faz parte, é um caos seguro, alegre, colorido, todos receptivos e dispostos a ajudar. 

 

As cores e a visível história que os cantinhos da cidade revelam, na medina, nos souks, são incríveis! Tiramos um milhão de fotos!

 

Algumas cidades do Marrocos assumem uma única coloração na maioria de suas construções. A cidade azul é a Chefchaouen, Casablanca é a branca, e Marrakech é a cidade rosada! Vocês vão ver nas fotos.

 

É um destino imperdível e, se possível, vale combinar com outras cidades (não tivemos oportunidade de explorar, mas algumas continuam na nossa #wishlist: Fez, Tânger, Chefchaouen).

QUANDO IR e quanto tempo ficar

 

Fuja do verão marroquino, quando as temperaturas atingem 48ºC. 

 

O ideal são as meia-estações (entre março e maio / setembro e novembro). Nós fomos em novembro e foi excelente. Calor de dia, mas bem tranquilo, e de noite ficava fresquinho. 

 

Em 6 dias conseguimos conhecer bastante coisa. Agora queremos voltar para ficar mais tempo e conhecer outras cidades marroquinas. Se for pra conhecer só Marrakech, fique pelo menos 4 dias.

sobre os gastos

Procurando passagens pra Europa, nos deparamos com um vôo que fazia conexão no Marrocos e decidimos fazer um stop, por isso não coloquei os valores das passagens no cálculo abaixo.

 

Repare que o total foi calculado em cima dos gastos de 2 pessoas + 1 bebê.

 

Foram 7 dias de viagem, em novembro de 2017.

Ah, nós ficamos em uma hospedagem maneiríssima no Deserto de Agafay (Scarabeo Camp), responsável por boa parte do nosso orçamento, então é possível sim fazer uma viagem mais barata caso seus planos não incluam uma hospedagem do tipo.

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TOTAL: DHS 11.144

câmbio: DHS 2,78 = BRL 1,00

 

TOTAL: BRL 4080 / duas pessoas + 1 bebê, 7 dias

Trem Casablanca - Marrakech

Taxi estação de trem Marrakech - Riad

Ingresso Medersa Ben Youssef

Hospedagem riad Dar Zaman

Scarabeo Camp

Refeições Scarabeo Camp

Passeio de Camelo

Transfer ida/ volta pro Deserto de Agafay

Hospedagem riad Kasbah

Transfer Marrakech - Casablanca

Ingresso Jardin Secret

Total de comidas

DHS 139 / por pessoa

DHS 100 / 4 pessoas, 2 bebês

DHS 20 / por pessoa

DHS 2289 / 2 pessoas, 2 diárias

DHS 2055 / 2 pessoas e um bebê

DHS 580 / 2 pessoas

DHS 400 / por pessoa

DHS 670 / para casal

DHS 2013 / para casal, 2 diárias

DHS 1400 / van 4 pessoas, 2 bebês

DHS 50 / por pessoa

DHS 826 / para duas pessoas

onde ficar

Marrakech é dividida entre a Medina (parte murada da cidade, o centro histórico, parte mais antiga) e a nova Marrakech. 

 

Pra mim, ficar na Medina foi a melhor escolha que poderíamos ter feito. Andamos a pé para todos os cantos, foi prático e nos sentimos super livres.

As construções nessa parte da cidade são todas baixinhas, respeitando a lei de que precisam ser mais baixas do que os minaretes (nome dado às torres das mesquitas) e as ruas são estreitas e movimentadas. Sim, o caos é maior, mas é super seguro!

A reza toca alta de tempos em tempos chamando os fiéis (homens) para rezar. Eles param tudo que estão fazendo e entram na mesquita mais próxima. Nesse momento você percebe nitidamente a cidade mais vazia. Como o país ainda é muito machista, eles dizem que as mulheres são “livres” para rezar nas suas próprias casas, ou seja, proibidas de entrar em determinadas mesquitas.

 

Ficamos em um RIAD. Riads são casas tradicionais marroquinas. A maioria é administrada por europeus, está reformada, e mantém a arquitetura local. Eles (quase) sempre ficam em ruas estreitas, e o acesso é através de uma portinha. Você não dá nada, mas quando você entra se surpreende com o lugar secreto por trás. 

 

Eu queria muito ter ficado no Riad Be Marrakech ou no Riad Yasmine, ambos são muito bem cuidados e coloridos! As piscinas com azulejos verde esmeralda são muito fotografadas! 

 

Nós ficamos no Dar Zaman. Com apenas 4 quartos, funcionários MUITO atenciosos e prestativos. Tomávamos café da manhã no terraço e quando voltávamos dos passeios tomávamos moroccan tea (chá de hortelã + chá verde) assistindo o pôr do sol lá de cima. Que vibe! Amei a estadia. Recomendo de olhos fechados!

onde comer

Café des Épices: Na Place des Épices, com um terraço com vista pra medina e comida bem gostosa! Imperdível experimentar o Lamb Tagine (cordeiro), fomos lá duas vezes de tão gostoso! Chegue cedo pra pegar mesa porque lota.

O que são tagines?

Pratos típicos, geralmente à base de carne com cozimento lento, cheia de molho e com um leve gosto adocicado, porque eles colocam frutas cristalizadas. Uma delícia!!!!! Eles levam esse nome porque são feitos em uma panela chamada tagine.

Nomad: Também na Place des Épices, em frente ao Café des Épices, mas o terraço deles é mais legal porque é inteiro de mesas (360 de visual, não tem parede, só um murinho bem baixinho). O pôr-do-sol lá foi incrível. Comemos uma salada de lentilha com queijo de cabra bem gostosa!

Jemma El-Fna: A praça principal da medina, cheia de barracas de comidas. São quase todas iguais: mesas comunitárias na frente, uma brasa acesa ao lado e as comidas expostas. Servem pães, azeitonas e molhos vermelhos de entrada e nós pedimos espetinhos (brochettes), tagines, cuscuz e o famoso moroccan tea (chá verde + mint tea - hortelã), servido em bules e copinhos típicos (todos os lugares tem, nos riads, nos restaurantes, nas barracas, vale a pena experimentar).

Nós comemos na barraca 46, que tem as mesmas comidas que a maioria das barracas (espetinhos e afins), mas o forte eram os frutos do mar. Empanados, fritos, preparados de várias formas. Bem gostosos.

 

Passamos na frente da barraca 94, onde só tinha pessoas locais, tudo estava escrito em árabe e o número passava quase despercebido. Paramos ali perto, acabamos observando a grande movimentação e ficamos curiosos. Comemos um sanduíche completo que era composto de: pão, queijo, batata e ovo cozido. Mega barato, simples, mas super gostoso. O x-tudo deles, ou para os cariocas, o "podrão".

o que conhecer

Inclua no seu roteiro o Palais Bahia, estava em obra quando fomos. E pesquise sobre o Jardin Majorelle, a gente não fez questão de ir, mas é bastante visitado.

 

Place jemma el-fna

Símbolo da Medina de Marrakech, a praça Jemma El-Fna fica em frente ao maior minarete da cidade: Koutobia. 

A praça ferve! Sempre movimentada!

De dia, barracas de suco de laranja (uma laranja enorme e super doce), encantadores de serpentes, domadores de macacos (acorrentados, tadinhos), vendedores de caracóis (pra comer) e tatuadores (de henna) tomam conta da praça.

Quando anoitece, a praça muda completamente. Barracas de comida, divididas por número, a maioria com uma brasa acesa, mesas na frente e muito movimento.

fonte : Wikipedia

 

souks

Ramificações de várias ruelas com o foco em comércio. Uma espécie de feira ao ar livre. Elas começam na Jemma El-Fna e invadem quase a medina inteira.

 

Cada “ala” é dividida por tipos de produtos, então tem a parte têxtil, tem o setor do couro, das porcelanas, dos temperos, das bolsas, da prata, dos sapatos, objetos de madeira, dos cosméticos, e por ai vai. Não esqueça que os vendedores estão dispostos a negociar, então compare os preços e negocie.

​É meio impossível se achar lá dentro. Um labirinto de becos (parte coberta, parte ao ar livre), vendedores, turistas, bicicletas, gatos, motos, pedestres. A ideia aqui é andar e se perderO labirinto é cheio de cor! Do nada você dá de cara com uma porta verde esmeralda, fica imaginando a cidade há milhares de anos.

 

Sabe aquela imagem que a gente cria de uma parte do Marrocos colorida, cheia de pratos, tecidos, ouro, tapetes. Então, ele existe!

Quando decidimos ir para Marrakech meu maior medo era a confusão da cidade para se andar com bebês, mas me surpreendi. Nós éramos dois casais, cada um com um filho, saímos todo dia com apenas um carrinho e os cangurus. Íamos revezando e assim funcionou super bem. 

 

place des épices

A praça das especiarias, ainda dentro dos souks.

 

Ali tem dois restaurantes bem legais para assistir o pôr-do-sol, falei deles lá em cima. Como as construções são baixinhas, do terraço o visu é incrível.

 

palais el badi

Da época em que os sultões Saadianos construíam grandes palácios para comemorar a ascensão ao trono. Ali aconteciam as maiores festas e reuniões do país, dá pra ver a grandiosidade que a construção queria demonstrar, tempos de glória!

 

Hoje está em ruínas, mas mesmo assim eu achei incrível. Um pátio central, cercado de muros altos, piscinas e pequenos jardins de laranjeiras. Nos muros vimos muitos ninhos de cegonhas! 

 

Detalhes arquitetônicos nos chãos, azulejos coloridos, muros em tons rosados.

 

O sol bate forte e não tem muita sombra, minha dica é levar uma garrafinha de água por todos esses passeios!

 

Ingresso (em novembro, 2017): 10 Dirhans

 

medersa ben youssef

Antiga escola islâmica anexa a uma mesquita.

 

O que mais impressiona é a arquitetura. Com um pátio aberto, uma piscina no centro, azulejos coloridos como uma espécie de ladrilhos. A estrutura de colunas e paredes com micro detalhes esculpidos é incrível e contrasta ao colorido dos mosaicos, tornando o lugar super fotogênico! Lindo demais!

Ingresso: 20 Dirhans

Dica: Sugiro visitar de manhã para fugir da multidão, o lugar sempre está cheio de turistas. 

 

jardin secret

Um oásis no meio dos souks da medina.

É um riad aberto para visitação. O jardim de alecrins, limoeiros e laranjeiras é bem gostoso de caminhar. Pra finalizar, tome um chá no segundo andar.

Ingresso: 50 Dirhans. Confesso que achei caro. Não sei se entraria no meu roteiro se eu já soubesse como é lá dentro.

Ah, e os chapéus que eu to usando nas fotos são sempre oferecidos pelos locais. No nosso riad tinham vários a disposição, aqui no Jardin Secret também.

 

deserto de agafay

A maioria das pessoas que viaja pro Marrocos tem muita vontade de conhecer o deserto. E com a gente não foi diferente. 

 

Como estávamos com bebês (Antonio e minha sobrinha, Joana), preferimos um deserto mais perto de Marrakech. O Deserto do Saara fica a umas 10h de viagem, e o de Agafay 45min. Quem não tem ressalvas, indico de olhos fechados que vá ao Saara. O deserto em si já é diferente, o Agafay é formado por dunas de pedras, e o do Saara dunas totalmente de areia mesmo. Fora a experiência de estar no maior deserto do mundo, né?

 

De qualquer forma, nossa experiência no Deserto de Agafay foi sensacional!

 

Ficamos em um acampamento super confortável chamado Scarabeo Camp. Eles chamam esse tipo de hospedagem de #glamping (um misto de camping + glamour). Com bebês era tudo que precisávamos, amamos a estrutura oferecida.

 

Uma tenda maior que o nosso quarto dos riads, com cama, sofás, tapetes, um banheiro super funcional, berço, jantar e café da manhã incluídos (bem gostosos), e ainda oferecem alguns passeios adicionais para quem quer (camelo, quadriciclo, cavalo, etc.).